O silêncio de repente tomava conta de tudo. Um silêncio forçado, preso na garganta, lhe tirando o ar. No fundo ainda se ouvia os carros passando na rua, a televisão da sala e a respiração pesada. Aquela sensação que ia e voltava de tempos em tempos e que sempre passava a idéia de ser a última vez.
Andava em círculos, mas somente na sua cabeça, por fora os músculos pareciam imóveis, rijos. E era como se não estivesse ali no chão, no canto mais distante da porta do quarto. Queria mesmo era levantar, gritar, correr pra longe de tudo... de si mesmo. Mas permanecia. Como se o frio da parede já tivesse tomado conta de seus pulmões e lhe impedisse os movimentos. Se sentia vivendo aos tropeços.
As horas passavam rápido, ou talvez nem passassem. Não sabia, não fazia a menor idéia de quanto tempo tinha passado nem sequer que horas eram. Isso não importava, não de uma maneira urgente como todo o resto.
Olhava ao redor do quarto e evitava a todo tempo fitar suas próprias mãos, será que aguentaria? Não sabia, evitava. Assim como todo o resto, evitava sentir, ouvir, falar... mas não podia evitar pensar.
Pensava em tudo que foi dito e também no que não foi, no que queria dizer e no que não devia ter dito.
Haviam tantas coisas a serem ditas. Em sua cabeça ensaiava diversos dialogos. Longos, curtos, educados... as vezes se permitia até a imaginá-los positivos.Imaginava cenários, reencontros... imaginava tanta coisa que chegou até a pensar se isso tudo não tinha sido fruto da sua imaginação. Será? Será que... não, não seria capaz.