terça-feira, 1 de março de 2011

Formigas

Formigas caminham por todos os lados. Perdidas. O rádio toca alto no meu ouvido uma música que não escuto. Vozes, frases disconexas, sons diversos... uma soma de coisas sem sentido que de alguma forma fazem todo o sentido de acontecerem no mesmo momento. Como num sonho ou... como chamam? Dejá vu.
A janela aberta enquanto a chuva cai lá fora e você está ai, provavelmente na janela vendo a mesma chuva que eu. A sensação é de passar por isso sempre, e todas as vezes... com você. A distância, palavras trocadas na rotina do dia-a-dia pra me fazer sentir mais perto. Mas não é como antes. Lembro de pouco tempo atrás me sentir parte de outro mundo que não o seu. Algo que era quase sufocante. Não mais.
Esses acordes de gitarra me lembram alguma música que costumavamos escutar junto, mas que agora não consigo me lembrar qual. Lembro de praças e cigarros compartilhados. De poesias e textos lidos embaixo de árvores. De conversas através do olhar. De passar a tardes inteiras deitada em sua cama por nenhum motivo em especial.
Uma formiga interrompe meu pensamento caminhando sobre o livro em minhas mãos. Percorrendo frases que não estou realmente lendo, provavelmente atraída por restos de comida que você derrubou por aqui. Isso me faz lembrar o quanto me incomoda te emprestar meus livros ou qualquer outra coisa, mas como sempre acabo cedendo.
Falo de você sempre. Te incluo em conversas e lugares onde não esteve e as vezes me pego falando de coisas que fizemos trocando seu nome por de outras pessoas. Talvez seja uma maneira te manter sempre perto, talvez seja uma mania boba ou maluquice. Só sei que o faço e na maior parte do tempo... inconscientemente.
Talvez você seja a única pessoa no mundo que consiga entender minha relação a distância. Gosto de você ai, presente inconsciente e acidentalmente em quase tudo que faço aqui. Talvez você seja a única pessoa no mundo que compreenda que tudo aquilo que nos separa... é aquilo que nos une.