quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"Tá tudo bem"

Uma página em branco na minha frente e... pela primeira vez na vida, te digo, não sei o que dizer. Não sei o que escrever, muito menos o que sinto. É um turbilhão de sentimentos, emoções e pra falar a verdade nenhum deles faz o menor sentido. Talvez esse seja o motivo pelo qual esteja sem palavras, as coisas não fazem sentido.
Fico muda, gaguejo. Um soco no estômago, é isso que é. Me deixa sem ar, sem reação. é aquela tapa na cara que não te dá vontade de revidar, te faz querer correr para seu quarto e se esconder embaixo dos cobertores, dos travesseiros, do seu amor próprio. Você se sente sozinha. Não só pelo fato óbvio de realmente estar, mas porque sabe que ninguém entenderia o que você está sentindo.
Queria deixar minha criança interior transparecer e gritar, espernear, chorar até doer. Mas não vou. Vou engolir tudo isso e vou te olhar. Vou te olhar, segurar tua mão e te dizer com a minha melhor voz de bom humor e meu melhor sorriso ensaiado na frente do espelho: "Tá tudo bem". E esperar que você não perceba esse aperto no meu peito e essas palavras engasgadas. Ou que se perceba possa ao menos desviar o olhar, deixar passar essa leitura.
Esse é aquele textoescrito sem pensar, quase de olhos fechados. É aquele texto que depois de escrito não vou mais voltar a ler. Vou tranca-lo aqui na gaveta da esquerda dessa escrivaninha.

Vou apagar a luz agora. Se não se importa, vou apagar a luz um instante... preciso respirar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Evito, em cada passo.

Olhos nos olhos, dedos entrelaçados e um medo real instalado no coração. Pisco repetidas vezes temendo que não seja real, esperando que permaneça. Não saberia dizer há quanto tempo estamos assim a nos encarar e pra dizer a verdade não sei nem ao menos dizer se tudo isso é real ou não.
É claro que lembro de cada palavra, cada movimento e toque seu... mas já não sei dizer se tudo isso é apenas fruto de minha imaginação. Não gosto de me prender em frases clichês tais como "bom demais pra ser verdade", o termo que caberia aqui tenderia mais ao "pessimista demais para acreditar".
Te peço a cada passo que não me entendas mal, que não me deixe perder em devaneios, que me aceite assim tal qual sou. Que compreendas que te aperto forte em um abraço por ter medo de ter te inventado e porque necessito de você perto de mim. Peço também que espere por minhas manifestações, pois elas são relutantes, porém mais do que verdadeiras.
Explico, complico, me perco... é um círculo vicioso sem fim. As vezes até me pego tentando explicar para as paredes do meu quarto essa montanha russa em meu peito. Esse descompasso, a aritmia. Me sinto sem reação, assistindo a teus movimentos, a tua desenvoltura em lidar com teus sentimentos e até a falta deles.
Evito teus olhos. Desde o começo era isto que queria te dizer: evito teus olhos. E sei que me entendes mal, mas se tivesse coragem te diria apenas a verdade. Evito teus olhos pois tenho medo que enxergue tudo que sinto e tenho fugido, tudo que sou e não te agrada.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Respiro o ar...

Respiro o ar, como se ele fosse acabar
Respiro o ar, como se ele fosse você
Respiro o ar, mesmo sabendo que você não é minha
Respiro o ar, sem saber se irá voltar

Prefiro acreditar, que você irá mudar
Prefiro até entender, e ter que crer em você
Mesmo sabendo que não há, motivos pra recomeçar
Ou tentar mudarmos o futuro, que não há nada pra levar

Fiquei aqui imaginando, um lugar pra gente encontrar
Com você eu vi falando, sem nada pra atrapalhar
Estou aqui te esperando, assim podemos navegar...

Tento entender, pra compreender
E amar você, sem me aborrecer
Ou enlouquecer, sem me perder
Vou perceber, que sem você...
Eu respiro o ar, que sem você
Eu respiro o ar, que sem você
Eu respiro o ar, que sem você
Eu respiro o ar...

domingo, 4 de julho de 2010

Imaginação

O silêncio de repente tomava conta de tudo. Um silêncio forçado, preso na garganta, lhe tirando o ar. No fundo ainda se ouvia os carros passando na rua, a televisão da sala e a respiração pesada. Aquela sensação que ia e voltava de tempos em tempos e que sempre passava a idéia de ser a última vez.
Andava em círculos, mas somente na sua cabeça, por fora os músculos pareciam imóveis, rijos. E era como se não estivesse ali no chão, no canto mais distante da porta do quarto. Queria mesmo era levantar, gritar, correr pra longe de tudo... de si mesmo. Mas permanecia. Como se o frio da parede já tivesse tomado conta de seus pulmões e lhe impedisse os movimentos. Se sentia vivendo aos tropeços.
As horas passavam rápido, ou talvez nem passassem. Não sabia, não fazia a menor idéia de quanto tempo tinha passado nem sequer que horas eram. Isso não importava, não de uma maneira urgente como todo o resto.
Olhava ao redor do quarto e evitava a todo tempo fitar suas próprias mãos, será que aguentaria? Não sabia, evitava. Assim como todo o resto, evitava sentir, ouvir, falar... mas não podia evitar pensar.
Pensava em tudo que foi dito e também no que não foi, no que queria dizer e no que não devia ter dito.
Haviam tantas coisas a serem ditas. Em sua cabeça ensaiava diversos dialogos. Longos, curtos, educados... as vezes se permitia até a imaginá-los positivos.Imaginava cenários, reencontros... imaginava tanta coisa que chegou até a pensar se isso tudo não tinha sido fruto da sua imaginação. Será? Será que... não, não seria capaz.

domingo, 27 de junho de 2010

Rascunho

Desci as escadas e te encontrei assim, de pé na minha sala me olhando como se buscasse aprovação, como se não tivesse certeza que te reconheceria. Ah, que bobagem! Reconheceria esses olhos verdes mesmo que deles me privasse por décadas. Tão penetrantes que me vi encarando meus pés a fim de transpor os últimos degraus sem cair. Passos nervosos no piso de madeira preenchendo o silêncio.
Paramos frente a frente esperando talvez um sinal do outro lado. Por fim nos abraçamos, aquele meio abraço. E de repente estavamos lá, conversando como se nada nunca tivesse acontecido, como se o tempo nunca tivesse passado, como antes...
E de repente você me contava seu dia-a-dia, tão parecido com o que me lembrava ser. E enquanto eu falava dos meus planos, segurava minha mão. E quando você se levantou pra ir embora foi como levar um soco no estômago, tão forte que me vi incapaz de te pedir pra ficar.
Caminhamos até a porta e prometemos. Prometemos nos encontrar, manter contato, não esquecer.
Promessas vãs, jogadas ao vento. Assim como eu, você também sabia que ao passarmos por aquela porta, elas seriam esquecidas. Talvez por isso as tenhamos feito.
É ilusório cada passo que damos em busca de nós, de mim em você e vice e versa. É ilusório cada fio de esperança que damos e recebemos toda vez que nos encontramos. É ilusório até este encontro, reencontro, desencontro. Porque sabemos que a única promessa de todas que já nos fizemos é de que quando você ou eu estivermos sós, estaremos aqui de novo. Estaremos buscando o que disperdiçamos, o que idealizamos no outro.
É ilusória cada busca que fazemos no outro quando é em nós mesmos que perdemos.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

Abraço apertado

Começou assim, uma troca de olhares e um meio abraço. E foi dessa forma por um bom tempo, até que a vontade do abraço inteiro se fez mais do que necessária, imperativa. Mas agora, mesmo quando os dois lados pedem qualquer coisa a mais que isso, o abraço inteiro permanece. Abraço de saudade, de cumplicidade. Na maior parte das vezes apertado, como os corações dentro de cada parte desse abraço.
Bem que queriam voltar ao meio abraço, ao embaraço de cada olhar. Como se fugissem do que vem a seguir, mas secretamente desejando reviver cada momento do caminho que os trouxe até aqui. Um lado talvez pensasse "Quanto tempo desperdiçado quando o que tenho aqui é tão igual ao que sentes ai", ao que o outro lhe responderia "Que bobagem, o tempo nada mais fez do que tornar maior o que já era bom".
Entre acertos e tropeços os que os manteria em pé seria o elo mais simples: os dedos entrelaçados numa demonstração boba de afeto. Como numa brincadeira infantil em que duas crianças amarram os pés lado a lado e tentam caminhar e muito depois percebem que desde o princípio o segredo era esse, acertar junto e errar junto também.
Nesse descompasso andam, se acompanham no desenrolar de cada dia como não poderiam se imaginar fazendo tempos atrás e como não conseguem se imaginar sem a partir de agora. Um passo ritmado, tum, tum... tum, tum... suave até, de quem acompanha, mas também é acompanhado. De quem quer próximo o que está longe. De quem quer tantas coisas, mas precisa só de uma: um abraço apertado.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Nó na garganta

Quando chegar a hora a vida tratará de gritar na minha frente o que eu não quis escutar em sussurros de você. As circunstâncias da vida nos coloca por vezes em encruzilhadas onde devemos escolher entre nós e nós mesmo. Essa é a conseqüência de todos os nossos atos, o resultado de cada pequena escolha no passado. É o que você não soube aprender sozinho.
E o tempo é relativo, mas ele vem. Ele vem para todos, de uma forma ou de outra. E o que sobra é pensar no que se aprendeu e o que valeu a pena. E a única coisa que posso prometer além de que não explicarei sentidos perdidos em entrelinhas é que não esquecerei. Por ser a única coisa da qual agora tenho certeza. Afinal, quem pode prometer esquecer?
Ah... não. Tenho certeza de outra coisa também. Que roubaria trechos de todos os poemas, textos e músicas que andei lendo ultimamente para poder te contar tudo o que eu queria te dizer, mas não vou. Eles podem saber explicar muito bem emoções, mas não podem explicar minhas razões. Nem eu mesma poderia explicar minhas razões.

"Quando você vai embora de nós o pronome parte-se ao meio, você diz que só leva o "s", mas de que adianta? Se comigo sobra o nó... na garganta."

Esse nó, ainda na minha garganta.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Maktub

Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros:
Bebia, era preguiçosa, não tinha um deus, idéias, ideais e nem me preocupava com política.
Eu estava ancorada no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho.
Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro para viver a minha solidão.
Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada.
Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Mas, não me importava. Ninguém se importava... Até você aparecer.
Poderia dizer que você surgiu como um anjo, e me salvou. Mas soaria clichê, e isso é um resumo de tudo que você não era. Me fez ter algo em que acreditar e um motivo para me levantar cada manha. Você era tudo aquilo que eu queria ser, tudo aquilo que eu queria ter para sempre. Você foi minha vida, e eu só mais um capitulo da sua. E agora... você se foi.

“Let's pretend that I moved on
Then I'll tell myself that life goes on without you
Open my eyes, look deep inside
I run away...”

Você se foi... E agora todas as qualidades que você dizia ver em mim, parecem em vão. Todo o meu esforço em parecer interessante... tudo aquilo que lutei para ser por você. Tudo se foi, nada parece merecer o mínimo esforço. Nem mesmo os meus defeitos, dos quais antes me orgulhava tanto...
Precisava ouvir o som dos seus passos se aproximando, a sua risada infantil... Como queria poder voltar atrás e fazer tudo melhor do que tinha feito. Eu queria gritar o mais alto que podia, na esperança que você me ouvisse e viesse me dizer que tudo estava bem, que você não foi embora. Queria um porre para esquecer que você não estava mais aqui. Mas não conseguia, simplesmente não conseguia. E a imagem do seu rosto infantil, martelando em minha mente me assombrava.
As luzes do quarto apagadas. Só a fraca luz entrando pela janela entreaberta. O som dos carros lá fora. E tudo que precisava era mais um dia com você. Sem porquês.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Logo nós

Na minha frente ela me encara. Cabelos sobre os ombros e uma expressão cansada no rosto, olhos vermelhos. Olhos que não sabem mentir, ou sabem? O cigarro abandonado no cinzeiro e a garrafa vazia são nossas únicas testemunhas. As pontas dos dedos formigando com a pressão que faço contra o marmore frio, mas não consigo abaixar os olhos. É quase um desafio, quem vai ceder primeiro?
Ensaio movimentos bruscos para pegá-la de surpresa, mas tenho medo de que ela não se mexa. Não me movo um centímetro sequer. Não consigo me mexer, hipnotizada por essa forma de não ser, não sentir. Tenho medo de que ela tenha aprendido mais sobre mim do que eu sobre ela e que seja agora capaz de me ler, de me enganar. Mas tenho mais medo ainda de que como eu, ela não me reconheça.
Nossos segredos compartilhados, nossas conversas intermináveis, é como se tudo isso não fizesse mais parte de nós. Divididas antes entre conversas sem futuro nos descobrimos em um futuro sem conversas. Tenho vontade de agarra-la pelos ombros, gritar com ela. Dizer que ainda dá tempo, que ainda me importo. Mas fico muda, assim como ela.
E logo nós duas que costumávamos nos entender sem usar nenhuma palavra. Que conheciamos nossos medos mais secretos, nossos sonhos. Logo nós que nos reconhecíamos em cada gesto, cada expressão. Logo nós...



sexta-feira, 5 de março de 2010

Hoje eu queria...


Hoje eu queria voltar no tempo. Começar tudo de novo, tudo novo. Queria ter agora 17 anos e estar prestes a me livrar do colégio. Queria as festas e as despedidas, as escolhas e as partidas. Queria dizer para mim que Machado de Assis só é chato quando não se tem opção e que eu deveria bater o pé pelas coisas que eu quero como fazia quando era criança. Queria dizer que as minhas escolhas ali iam afetar o meu eu futuro e que a faculdade é uma escolha para mim e não para os outros. Queria até as festas de 15 anos, a briga para ganhar mais 1 hora na rua, as intrigas da escola, minha turma.
Se eu pudesse, voltava ainda mais no tempo. Voltava para o tempo onde não andava com um celular no bolso, por que só quem tinha isso em casa era meu pai. Para os tempos dos campeonatos interclasses onde todo mundo era rival e amigo ao mesmo tempo, de tomar sorvete com as amigas sem complexos. Queria voltar no tempo de andar de bicicleta, de jogar bola na rua, de parar o jogo de taco para os carros passarem, de achar que cada dia era uma aventura e do medo de ter chego em casa depois do horário permitido. Queria a ansiedade das provas de colégio, tão diferentes dessas agora. Queria que me pedissem para fazer trabalho em cartolina, de recorte e cole de revista... queria voltar no tempo em que minha mãe era responsável por metade do meu desempenho no colégio e achava isso o máximo. Queria maquetes e fantoches de meia.
Queria ainda receber estrelinha na minha agenda porque consegui montar o quebra-cabeça ou porque acertei todas as palavras do tão temido ditado. Queria livros de colorir e poder assistir filmes da Disney sem todas essas neuras de mensagem subliminar. Queria que meus cartões rabiscados um dia antes ainda valessem o melhor presente que meus pais poderiam ganhar. Queria acreditar todos os dias que meu pai é um herói.
Queria poder classificar as pessoas entre: chatas e legais, e só. Queria fazer as experiências que via na televisão. Queria minhas férias de verão na piscina. Queria brincar de Lego e Playmobil com meus vizinhos. Queria meus desenhos de infância que sempre tinham uma moral no final ou algum aprendizado na história.
Queria brigar como criança, que acredita que o mundo está acabando e no minuto seguinte já esqueceu. Queria minha memória curta para coisas ruins e queria acreditar. Queria acreditar no melhor das pessoas e em um mundo melhor. Mas hoje eu queria voltar no tempo.