Sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros:
Bebia, era preguiçosa, não tinha um deus, idéias, ideais e nem me preocupava com política.
Eu estava ancorada no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho.
Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro para viver a minha solidão.
Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo, e não conseguia nada.
Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Mas, não me importava. Ninguém se importava... Até você aparecer.
Poderia dizer que você surgiu como um anjo, e me salvou. Mas soaria clichê, e isso é um resumo de tudo que você não era. Me fez ter algo em que acreditar e um motivo para me levantar cada manha. Você era tudo aquilo que eu queria ser, tudo aquilo que eu queria ter para sempre. Você foi minha vida, e eu só mais um capitulo da sua. E agora... você se foi.
“Let's pretend that I moved on
Then I'll tell myself that life goes on without you
Open my eyes, look deep inside
I run away...”
Você se foi... E agora todas as qualidades que você dizia ver em mim, parecem em vão. Todo o meu esforço em parecer interessante... tudo aquilo que lutei para ser por você. Tudo se foi, nada parece merecer o mínimo esforço. Nem mesmo os meus defeitos, dos quais antes me orgulhava tanto...
Precisava ouvir o som dos seus passos se aproximando, a sua risada infantil... Como queria poder voltar atrás e fazer tudo melhor do que tinha feito. Eu queria gritar o mais alto que podia, na esperança que você me ouvisse e viesse me dizer que tudo estava bem, que você não foi embora. Queria um porre para esquecer que você não estava mais aqui. Mas não conseguia, simplesmente não conseguia. E a imagem do seu rosto infantil, martelando em minha mente me assombrava.
As luzes do quarto apagadas. Só a fraca luz entrando pela janela entreaberta. O som dos carros lá fora. E tudo que precisava era mais um dia com você. Sem porquês.
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