Começou assim, uma troca de olhares e um meio abraço. E foi dessa forma por um bom tempo, até que a vontade do abraço inteiro se fez mais do que necessária, imperativa. Mas agora, mesmo quando os dois lados pedem qualquer coisa a mais que isso, o abraço inteiro permanece. Abraço de saudade, de cumplicidade. Na maior parte das vezes apertado, como os corações dentro de cada parte desse abraço.
Bem que queriam voltar ao meio abraço, ao embaraço de cada olhar. Como se fugissem do que vem a seguir, mas secretamente desejando reviver cada momento do caminho que os trouxe até aqui. Um lado talvez pensasse "Quanto tempo desperdiçado quando o que tenho aqui é tão igual ao que sentes ai", ao que o outro lhe responderia "Que bobagem, o tempo nada mais fez do que tornar maior o que já era bom".
Entre acertos e tropeços os que os manteria em pé seria o elo mais simples: os dedos entrelaçados numa demonstração boba de afeto. Como numa brincadeira infantil em que duas crianças amarram os pés lado a lado e tentam caminhar e muito depois percebem que desde o princípio o segredo era esse, acertar junto e errar junto também.
Nesse descompasso andam, se acompanham no desenrolar de cada dia como não poderiam se imaginar fazendo tempos atrás e como não conseguem se imaginar sem a partir de agora. Um passo ritmado, tum, tum... tum, tum... suave até, de quem acompanha, mas também é acompanhado. De quem quer próximo o que está longe. De quem quer tantas coisas, mas precisa só de uma: um abraço apertado.
Pois todos nascem unidos, mas do tempo vem a separação. Em descompasso, passo a passo, um vai de encontro ao outro, para que por fim, o abraço encarne o alívio. Belo post, vou acompanhar seu Blog.
ResponderExcluirSe quiser fique à vontade.
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Paz e bem.